Biografia

Foto: Kiko Ferrite

Foto: Kiko Ferrite

Gaúcha de Ijuí, nascida em 1966, Eliane Brum é jornalista, escritora e documentarista. Trabalhou 11 anos como repórter do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, e 10 como repórter especial da Revista Época, em São Paulo. Desde 2010, atua como freelancer. Atualmente, escreve artigos para os jornais El País (português e espanhol) e The Guardian (inglês).

Publicou seis livros – cinco de não ficção e um romance -, além de participar de coletâneas de crônicas, contos e ensaios.

Em “Coluna Prestes: o avesso da lenda” (Artes e Ofícios, 1994), pelo qual recebeu o prêmio Açorianos de autora-revelação, Eliane refez, 70 anos depois, a marcha de 25 mil quilômetros da tropa rebelde pelo país, entrevistando 100 pessoas que testemunharam a passagem da Coluna Prestes por povoados e cidades do Brasil. O livro traz o testemunho do que a autora chamou de “o povo do caminho” – aqueles que não eram nem rebeldes, nem governistas –, ampliando a complexidade e a compreensão deste episódio crucial da República Velha.

Em “A Vida Que Ninguém Vê” (Arquipélago Editorial, 2006), Eliane conta pequenas histórias reais sobre o que chama de “desacontecimentos” e sobre pessoas que jamais virariam notícia na pauta convencional do jornalismo, mostrando que toda vida é habitada pelo extraordinário. Neste livro, a autora mostra que não existem vidas comuns, apenas olhos domesticados. A obra foi reconhecida com o Prêmio Jabuti 2007 de melhor livro de reportagem.

Em “O Olho da Rua – uma repórter em busca da literatura da vida real” (Globo, 2008), Eliane escolhe dez grandes reportagens e conta seus bastidores – dilemas, medos e até mesmo os seus erros, vividos no processo do fazer jornalístico. O livro começa com um parto nos confins da Amazônia, pelas mãos das parteiras da floresta – e termina com a autora acompanhando os últimos 115 dias da vida de uma mulher com um câncer incurável, em São Paulo.

Em junho de 2011, lançou seu primeiro romance, “Uma Duas” (LeYa Brasil). Nele, aborda o relacionamento entre mãe e filha. Ou como uma filha se arranca do corpo da mãe, já que para uma filha é preciso mais de um parto. Foi sua primeira incursão na literatura de ficção, depois de mais de duas décadas contando histórias reais como repórter. O livro foi finalista dos prêmios Portugal Telecom, São Paulo de Literatura e Jornada Nacional de Literatura (Zaffari-Bourbon). Em outubro de 2014, “Uma Duas” foi lançado pela Amazon, em inglês, no mercado internacional, nos formatos papel e e-book. A tradução para o inglês é de Lucy Graves.

Em julho de 2013, Eliane lançou uma coletânea com 64 de suas 234 crônicas e artigos de opinião publicados originalmente no site da Revista Época. “A Menina Quebrada” (Arquipélago) ganhou o Prêmio Açorianos de Melhor Livro do Ano. Nele, Eliane traça um pequeno retrato deste momento histórico, a partir do seu olhar, abordando temas como o perigo da história única, a medicalização da vida, a ditadura da felicidade, o relacionamento entre pais e filhos mediado pelo consumo, a dificuldade de nossa época com as marcas (as do corpo e também as psíquicas), o envelhecimento e a morte. Escreve também sobre memórias, política e questões socioambientais, em especial as relacionadas à Amazônia.

Em abril de 2014, publicou “meus desacontecimentos – a história da minha vida com as palavras” (LeYa), quinto livro mais vendido na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Nesse livro, a menina que flertava com a morte percorre as memórias da infância para compreender como a palavra escrita a salvou. Como repórter e escritora, Eliane sempre questionou a forma como cada um inventa uma vida e cria sentido para seus dias. Em Meus desacontecimentos, conta como ela mesma se arrancou do silêncio para virar narrativa.

Entre as coletâneas da qual participou, destaca-se a obra “Dignidade”, livro internacional que marca os 40 anos da organização Médicos Sem Fronteiras. O livro foi lançado na Itália em outubro de 2011, pela editora Feltrinelli, e é composto por textos de nove escritores de diferentes partes do mundo, entre eles o prêmio Nobel Mario Vargas Llosa. Cada um dos autores convidados conheceu um projeto internacional da organização. Eliane escreveu sobre o Mal de Chagas na Bolívia, um dos países com maior prevalência da doença no mundo. Seu texto foi traduzido para o italiano por Luca Bacchini. “Dignidade” foi lançado no Brasil em junho de 2012, pela editora LeYa, e foi finalista do prêmio Jabuti 2013, na categoria melhor livro de reportagem. A reportagem de Eliane tem o seguinte título: “Os vampiros da realidade só matam pobres”.

Em coletânea publicada primeiro em alemão, na Feira de Frankfurt de 2013, Eliane escreveu um conto sobre futebol: “Raimundo, o dono da bola”. O livro, “Entre as quatro linhas” (DSOP), foi lançado em português no início de 2014. O conto de Eliane se passa na Terra do Meio, na Amazônia. Traduzido por Michael Kegler, foi lançado como e-book em julho de 2014, apenas em alemão.

Como documentarista, seu filme de estreia é “Uma História Severina” (2005). O documentário, no qual divide a direção e o roteiro com Debora Diniz, conta a saga da pernambucana Severina, pobre e analfabeta, grávida de um feto anencéfalo, em busca de autorização judicial para interromper a gestação. Em 2010, lançou “Gretchen Filme Estrada” (Mixer), dividindo a direção com Paschoal Samora. O filme conta a última turnê por circos mambembes do semiárido nordestino e a primeira campanha política da rainha do rebolado à prefeitura da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco. Em novembro de 2011, o documentário foi exibido no IDFA (International Documentary Film Festival of Amsterdam).

De 2009 a 2011, Eliane publicou crônicas semanais no site Vida Breve.

De 2009 a 2013, publicou uma coluna semanal no site da Revista Época.

Desde outubro de 2013, escreve uma coluna quinzenal no site do jornal El País.

Em outubro de 2010, foi conferencista do festival da revista Internazionale, na Itália. Em dezembro do mesmo ano, foi palestrante na Casa de América, em Madri, na Espanha. Em 2011, participou como palestrante do festival literário de Mântua, na Itália; em 2012, do Salão Internacional de Turim. Em maio de 2014, foi escritora-convidada do PEN World Voices Festival, de Nova York, festival literário criado pelo escritor Salman Rushdie, em dois eventos: “Literary Safari” e “Resonances: Contemporary Writers on the Classics”. Em novembro de 2015, fez uma série de palestras e bate-papos na Alemanha, nas cidades de Frankfurt, Munique e Giessen. Em fevereiro de 2016, foi palestrante na Florida International University, em Miami, Estados Unidos.

No Brasil, participa de diversos festivais e encontros literários, como a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), Sempre Um Papo, Fórum das Letras, Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, Feira do Livro de Ribeirão Preto e Feira do Livro de Porto Alegre, entre vários outros. Faz também palestras e oficinas sobre reportagem para estudantes de jornalismo.

Prêmios: Como jornalista, Eliane Brum ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem, como Esso, Vladimir Herzog, Ayrton Senna, Líbero Badaró, Sociedade Interamericana de Imprensa e Rei de Espanha. Em 2008, recebeu o Troféu Especial de Imprensa ONU, “por tudo o que já fez e vem realizando em defesa da Justiça e da Democracia”. Foi três vezes reconhecida, em votação da categoria, com o Prêmio Comunique-se. Por três vezes ganhou o Troféu Mulher Imprensa. Recebeu três vezes o Prêmio Cooperifa, “por ajudar, com suas ações, a construir uma periferia melhor para viver”, e o Prêmio Orilaxé, do grupo AfroReggae, concedido a pessoas e entidades que, com seu trabalho, tem conseguido “mudar a realidade, melhorando a qualidade de vida das pessoas e do planeta”.