O nojo

É isso que diremos aos nossos filhos, que vamos esperar passivamente Bolsonaro nos matar a todos?

Enfermeira protesta com cartaz em que se lê "Jair", nome de um dos profissionais de saúde mortos pelo coronavírus no Brasil, na segunda.ADRIANO MACHADO / REUTERS (Reprodução do El País)

Enfermeira protesta com cartaz em que se lê “Jair”, nome de um dos profissionais de saúde mortos pelo coronavírus no Brasil, na segunda.ADRIANO MACHADO / REUTERS
(Reprodução do El País)

Leia no El País

O Brasil está matando o Brasil

O Brasil abriu a semana com a morte de Aldir Blanc, o poeta que, em uma das canções mais pungentes contra a ditadura militar, escreveu: “a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar”. Morto aos 73 anos por covid-19, o show de Aldir Blanc não pôde continuar. A esperança já não consegue se equilibrar no Brasil e deslizou para o abismo. O país de Aldir Blanc e todo o seu imaginário foram mortos pelo perverso que se embriaga com a própria boçalidade, espirra e aperta com dedos lambuzados as mãos de seus seguidores. E então diz, diante das milhares de vítimas da pandemia e de sua irresponsabilidade: “E daí?”. A morte do poeta oficializa que o Brasil continental perdeu seu continente ―sua carne, sua alma e seus contornos― e a poesia já não nasce.

Protesto em Sµão Paulo contra as medidas de quarentena.AMANDA PEROBELLI / REUTERS (Reprodução do El País)

Protesto em Sµão Paulo contra as medidas de quarentena. AMANDA PEROBELLI / REUTERS (Reprodução do El País)

Leia na minha coluna no El País (em português e em espanhol)

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