O lamento do povo Araweté em uma sinfonia

“Lamento para cordas” é uma composição inspirada pelo meu texto sobre um velho indígena do povo Araweté numa reunião com autoridades do mundo dos brancos. O maestro Alexandre Guerra a compôs e regeu a Orquestra Sinfônica de Budapeste, que a executou lindamente. Está no seu disco Fantasia, recém Lançado. E só nesta semana dá para ouvir de graça AQUI.

Alexandre Guerra faz literatura musical. E “Lamento para cordas” é imensamente lindo. Me sinto alargada por minhas palavras – ou minha dificuldade em encontrar as palavras, neste texto de tantos silêncios – terem inspirado algo que não existia e que agora povoa o mundo com tanta beleza. Escutem. Faz o dia ficar maior.

O texto completo sobre o disco Fantasia pode ser conferido na reportagem A mágica “literatura musical” de Alexandre Guerra.

Ouça também no site oficial de Alexandre Guerra no Youtube

Indígena Araweté, em reunião no centro de convenções de Altamira, no Pará. LILO CLARETO

Indígena Araweté, em reunião no centro de convenções de Altamira, no Pará. LILO CLARETO

 Leia AQUI o artigo que inspirou “Lamento para cordas”

 

Brasil sin ruedas (Brasil sem rodas)

O apoio popular à paralisação dos caminhoneiros pode apontar para uma versão brasileira do eleitor de Donald Trump?

Greve dos caminhoneiros, via Anchieta próximo da entrada para o Rodonel. São Bernardo do Campo, SP. 27 de maio de 2018. Fotos: Roberto Parizotti/ Fotos Públicas

Greve dos caminhoneiros, via Anchieta próximo da entrada para o Rodonel. São Bernardo do Campo, SP. 27 de maio de 2018. Foto: Roberto Parizotti/ Fotos Públicas

Minha coluna no jornal El País (somente em espanhol)

A Veneza de Belo Monte

O bairro Jardim Independente 1, na cidade de Altamira, sofreu o impacto da especulação imobiliária causado pela construção de Belo Monte. LILO CLARETO

Fotos: Lilo Clareto

Atingidos pela hidrelétrica, seres humanos vivem alagados por água podre na cidade de Altamira, num cenário pós-apocalíptico

 

Marlene acorda na madrugada. Ela teve um pesadelo. Um de seus netos morria afogado no lago. Quando acorda, ela já sente o cheiro de esgoto. Sacode Carlos, que dorme ao seu lado. “Carlos, alagou.” O marido está esgotado pelo dia de trabalho. Ele pinta casas que não alagam. “Você tá sonhando.” Marlene não está. Ela bota o pé para fora da cama e pisa. O frio da água molhando o pé lhe provoca um horror silencioso. Naquele momento o horror é só dela. “Eu não sei nadar”, é o que Marlene pensa sem parar. “Eu nunca aprendi a nadar.” Ela então repete. “Alagou, Carlos.” Carlos abandona o sono para lembrar que não há pesadelo pior que a vida no Jardim Independente 1, na cidade de Altamira, no Pará.

 

Leia AQUI minha reportagem na Amazônia Real

Leia AQUI no El País

Marlene Moraes da Silva tem o sonho recorrente de que ela e os netos morrem afogados durante a cheia.

Marlene Moraes da Silva tem o sonho recorrente de que ela e os netos morrem afogados durante a cheia.

Carlos Alves Moraes, ribeirinho que virou pintor de paredes, mostra a porta suspensa por cordas que usa para erguer seus pertences mais importantes quando a casa alaga.

Carlos Alves Moraes, ribeirinho que virou pintor de paredes, mostra a porta suspensa por cordas que usa para erguer seus pertences mais importantes quando a casa alaga.

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