Planeta em Chamas

A ativista Greta Thunberg costuma afirmar, ao tentar fazer com que os adultos acordem diante da emergência climática: “A nossa casa está em chamas”. A sueca de 16 anos atravessa agora o oceano em veleiro rumo a um encontro da ONU. No entanto, Greta pode ainda não ter imaginado algo ainda mais assustador: fazendeiros ateando fogo à selva como manifesto político. É o que aconteceu na Amazônia no dia 10 de agosto.

Fazendeiros do sudoeste do Pará, uma das regiões mais conflitantes da Amazônia brasileira, organizaram o Dia do Fogo, em que queimaram áreas para pastagens e em processo de desmatamento. De acordo com um dos líderes entrevistado pelo jornal da cidade amazônica Novo Progresso, os fazendeiros se sentem “amparados pelas palavras de Jair Bolsonaro”. Eles também afirmaram que desejavam mostrar ao presidente do Brasil ” que querem trabalhar “. Tudo indica que eles conseguiram. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, nessa data os incêndios aumentaram 300% em Novo Progresso, com 124 focos. No dia seguinte, o número subiu para 203.

 

Vista aérea del Amazonas, en el norte de Brasil. (Foto: Marco Antonio Rezende/ GETTY/ Reprodução do El País)

Vista aérea do Amazonas (Foto: Marco Antonio Rezende/ GETTY/ Reprodução do El País)

Planeta en llamas

Mientras los bomberos intentan apagar el fuego en Europa, en Brasil los hacendados queman la Amazonia

 

Leia no El País (em espanhol e em português)

As crianças de Altamira

O massacre dos inocentes nos denuncia na mais violenta cidade amazônica

A menina com nome de rua e o menino com nome de jogador de futebol, no reservatório da usina de Belo Monte, em Altamira (PA). (Foto: Lilo Clareto/Reprodução do El País)

A menina com nome de rua e o menino com nome de jogador de futebol, no reservatório da usina de Belo Monte, em Altamira (PA). (Foto: Lilo Clareto/Reprodução do El País)

Leia em minha coluna no El País

Crees que me engañas

Você acha que me engana: o governo brasileiro contradiz as estatísticas de desmatamento na Amazônia para confundir seus parceiros comerciais

O presidente autoritário do Brasil, Jair Bolsonaro, decidiu enganar os europeus. Preocupado com que os alarmantes índices de destruição da Amazônia prejudiquem os tratados comerciais, em especial o acordo assinado entre a União Europeia e o Mercosul, na semana passada destituiu Ricardo Galvão, presidente do Instituto que mede o desmatamento da maior floresta tropical do planeta. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, um centro científico respeitado no mundo, é o novo objetivo do ódio do bolsonarismo. O ministro contra o meio ambiente, Ricardo Salles, já anunciou que irá investir recursos públicos para contratar uma monitorização paralela. Na época dos satélites, o governo de direita tem a ilusão de poder controlar e manipular as estatísticas sem que o descubram.

Una zona deforestada para el cultivo agrícola en la Amazonia. (Foto: Jose Caldas/Getty Images/Reprodução do El País)

Una zona deforestada para el cultivo agrícola en la Amazonia. (Foto: Jose Caldas/Getty Images/Reprodução do El País)

Leia no El País (em espanhol)

Doente de Brasil

Como resistir ao adoecimento num país (des)controlado pelo perverso da autoverdade

Jair Bolsonaro é um perverso. Não um louco, nomeação injusta (e preconceituosa) com os efetivamente loucos, grande parte deles incapaz de produzir mal a um outro. O presidente do Brasil é perverso, um tipo de gente que só mantém os dentes (temporariamente, pelo menos) longe de quem é do seu sangue ou de quem abana o rabo para as suas ideias. Enquanto estiver abanando o rabo – se parar, será também mastigado. Um tipo de gente sem limites, que não se preocupa em colocar outras pessoas em risco de morte, mesmo que sejam funcionários públicos a serviço do Estado, como os fiscais do IBAMA, nem se importa em mentir descaradamente sobre os números produzidos pelas próprias instituições governamentais desde que isso lhe convenha, como tem feito com as estatísticas alarmantes do desmatamento da Amazônia. O Brasil está nas mãos deste perverso, que reúne ao seu redor outros perversos e alguns oportunistas. Submetidos a um cotidiano dominado pela autoverdade, fenômeno que converte a verdade numa escolha pessoal, e portanto destrói a possibilidade da verdade, os brasileiros têm adoecido. Adoecimento mental, que resulta também em queda de imunidade e sintomas físicos, já que o corpo é um só.

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de troca da guarda. (Foto de EVARISTO SA/AFP/ Reprodução do El País))

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de troca da guarda. (Foto de EVARISTO SA/AFP/ Reprodução do El País)

Leia na minha coluna no El País

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