As mulheres que dizem não

Ele estava lá, o homem perplexo. Ele tinha dito qualquer coisa como “gostosa” para uma jovem mulher. E ela tinha mostrado o dedo, bem na sua cara. Tipo “te liga”. Ele explicava que aquilo não era abuso, era cantada. E a cada vez que explicava parecia encolher de tamanho. Acostumado ao topo da cadeia alimentar por quase toda uma vida, porque ele já era um velho, ele não conseguia compreender porque os lugares haviam mudado. Ele não podia mais fingir que era desejado, ele não podia mais dizer o que queria, e por fim ele desabafou que não era capaz de viver num mundo em que uma mulher não gostasse de ser chamada na rua de gostosa por um homem como ele. De repente, ele tinha ficado muito mais velho. E perguntava: mas por quê? E tenho certeza de que ele não estava blefando. Ele não sabia. Porque por tempo demais não precisou saber. E agora precisa. Naquele exato momento, aquele homem perdeu o último pinto que ainda ficava duro. E não tinha a menor ideia sobre como alcançar potência sendo o que não sabia como ser.

De tantas cenas fortes deste ano, a minha foi essa pequena, quase despercebida. Um desacontecimento que desvela um acontecimento feito onda.

Mulheres protestam contra PEC 181 que pode criminalizar o aborto, na Avenida Paulista, em novembro de 2017 ROVENA ROSA (AGÊNCIA BRASIL/EL PAÍS)

Mulheres protestam contra PEC 181 que pode criminalizar o aborto, na Avenida Paulista, em novembro de 2017 ROVENA ROSA (AGÊNCIA BRASIL/EL PAÍS)

Nem tudo foi retrocesso em 2017: há algo importante que se move e não é para trás

Leia na minha coluna no El País

Senador José Porfírio, Pará, Amazônia: altíssimo risco

Belo Sun deveria estar no centro do debate público, mas não está. O Brasil está tragado pela Lava Jato e pela disputa de 2018. Parece que Belo Sun não tem nada a ver com isso, mas tem e muito.

Nesta semana houve uma vitória importante na justiça. E os indígenas da Volta Grande do Xingu serão ouvidos, o que não aconteceu em Belo Monte. Mas no cotidiano de exceção que vivemos é preciso, mais do que nunca, pressionar para que a lei seja cumprida.

Dirceu Biancardi (PSDB), prefeito de Senador José Porfírio, afirma aos povos indígenas, na audiência pública para debater Belo Sun: "Eu considero vocês seres humanos igual eu". LILO CLARETO

Dirceu Biancardi (PSDB), prefeito de Senador José Porfírio, afirma aos povos indígenas, na audiência pública para debater Belo Sun: “Eu considero vocês seres humanos igual eu”. LILO CLARETO

Um projeto que pode ser mais destruidor do que Belo Monte está em disputa no Xingu e os brasileiros não estão nem aí

Leia no El País

 

A Globo, do outro lado do paraíso

Chamada por uma parte da sociedade brasileira de “golpista”, por outra parte de “comunista”, o momento vivido pela Globo, a maior e mais influente rede de comunicação do país, é revelador do Brasil atual.

As atrizes Bianca Bin e Nathalia Timberg em cena da novela 'O outro lado do Paraíso' DIVULGAÇÃO/GLOBO

As atrizes Bianca Bin e Nathalia Timberg em cena da novela ‘O outro lado do Paraíso’ DIVULGAÇÃO/GLOBO

Leia na minha coluna no El País

Os 18 vendilhões

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Reprodução do Facebook do Pastor Takayama, presidente da Frente Parlamentar Evangélica, com parte dos deputados que aprovaram a mudança antiaborto na PEC 181

Como o Congresso brasileiro se tornou o melhor lugar para homens que odeiam as mulheres, especialmente as negras

A imagem de um grupo de homens rindo, batendo palmas e gritando porque tinham sido malandros o suficiente para fazer uma sacanagem com as mulheres (e também com os homens sérios do país) deve ir para a posteridade como um dos momentos mais baixos do Brasil. Há cenas assim, que contam uma história inteira. E esta é uma delas.

Leia na minha coluna no El País

Como fabricar monstros para garantir o poder em 2018

A fabricação de monstros é uma forma de controle de um grupo sobre todos os outros. A escolha do “monstro” da vez é, portanto, uma escolha política. O que se cria hoje no Brasil é uma base eleitoral para 2018. Uma capaz de votar em alguém que controle o descontrole, alguém que “bote ordem na casa”. Mas que bote ordem na casa sem mudar a ordem da casa. Este é o ponto.

Manifestantes protestam no MAM em repúdio à apresentação do coreógrafo Wagner Schwartz no dia 30 de setembro (TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO/ Reprodução El País)

Manifestantes protestam no MAM em repúdio à apresentação do coreógrafo Wagner Schwartz no dia 30 de setembro (TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO/ Reprodução El País)

Enquanto o país é tomado por assaltantes do dinheiro público, parte dos brasileiros está ocupada caçando pedófilos em museus

Leia no El País

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