Ana Júlia e a palavra encarnada

Minha coluna esta semana no El País:

O movimento de ocupação da escola pública tornou-se a principal resistência ao projeto não eleito e pode ser a pedra no caminho do PSDB em 2018

 

Ana Júlia Ribeiro resgatou a palavra num país em que as palavras deixaram de dizer. E que força tem a palavra quando é palavra. O vídeo que viralizou levando o discurso de Ana Júlia para o mundo mostra que a palavra dela circula pelo corpo. É difícil estar ali, é penoso arriscar a voz. Ela treme, ela quase chora, Ana Júlia se parte para manter a palavra inteira. A câmera às vezes sai dela e mostra a reação dos deputados do Paraná. Alguns deles visivelmente não sabem que face botar na cara. Tentam algumas opções, como numa roleta de máscaras, mas parece que as feições giram em falso. Deparam-se aflitos com a súbita dificuldade de encontrar um rosto. A palavra de Ana Júlia arruinou, por pelo menos um momento, a narrativa que começava a se impor: a da criminalização dos estudantes e de seu movimento de ocupação da escola pública. Mas a disputa ainda é esta. E tudo indica que se tornará cada vez mais pesada: são os estudantes que estão no caminho do projeto de poder do governo de Michel Temer e das forças que o apoiam. E são também eles que podem atrapalhar o tráfego de quem corre para 2018, em especial o PSDB de Geraldo Alckmin.

 

Oalab chegando!!

Reprodução da capa do

Reprodução da capa do livro

Neste sábado (29/10), João Luiz Guimarães lança seu primeiro livro infantil, “O Vento de Oalab”, vencedor do Prêmio Barco a Vapor 2015.

É um livro muito, mas muito bonito mesmo. E importante. Importante sempre, mais ainda em tempos como este, em que tão poucos estão dispostos a estar com o outro no espaço público.

vento de oalab1É um livro sobre pensar por si mesmo, mas é um livro que mostra que pensar parte da escuta do outro, parte do espanto diante da(s) novidade do(s) mundo(s). Pensar é movimento que atravessa o corpo – os corpos.

Acho que a gente precisa muito de crianças capazes de pensar – e não apenas seguir – e de crianças capazes de se arriscar à alteridade.

Oalab fala poeticamente sobre isso. É um livro pequeno no formato, enorme no conteúdo.

Se quiserem levar a criança que mora em vocês e/ou as crianças que moram com vocês: das 15h às 18h, na Livraria da Vila (da Fradique). Com contação de histórias.

Nos vemos lá! E, depois, que o vento de Oalab nos atravesse!

João Luiz Guimarães e o Prêmio Barco a Vapor 2015 (Divulgação)

João Luiz Guimarães e o Prêmio Barco a Vapor 2015 (Divulgação)

Lançamento:

O VENTO DE OALAB

Contação de histórias com a presença de João Luiz Guimarães

29 de outubro, sábado, das 15h às 18h

Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, São Paulo)

Entrada Franca

Mulheres, corpo e insurreição

Minha coluna no El País fala sobre as greves de mulheres, na Polônia e na Argentina. E busca os sentidos dessa relação entre a violação dos corpos e a retirada dos corpos da esfera da produção. Escrevo também sobre a potência de “encarnar-se” no momento em que se vive “sem corpo” na internet e que se chega mais perto da “inteligência sem corpo”.

Acredito que não podemos compreender a história recente do Brasil sem compreender a relação entre o corpo das mulheres, a política e o poder, uma história que começa (ou continua) lá na primeira eleição disputada por Dilma Rousseff. As mulheres, estas que não “escapam” do corpo, têm muito a dizer sobre os governos conservadores, como o atual, que convocam os mesmos corpos de sempre a se sacrificar.

No meu modo de olhar, tudo isso está entrelaçado neste outubro das mulheres nas ruas. É importante enxergar onde está a potência, num momento em que tudo parece tão brutal para muitos.

Leia  AQUI

Mulher protesta contra os feminicídios na Argentina. DAVID FERNÁNDEZ (EFE - Reprodução El País)

Mulher protesta contra os feminicídios na Argentina. DAVID FERNÁNDEZ (EFE – Reprodução El País)

Denúncia de Facebook

Minha coluna no El País:

Deltan Dallagnol coloca a Lava Jato em risco quando escolhe arregimentar seguidores em vez de informar cidadãos

Deltan Dellagnol (Foto: Geraldo Bubniak - EFE - Reprodução de EL PAÍS)

Deltan Dellagnol (Foto: Geraldo Bubniak – EFE – Reprodução do EL PAÍS)

O que estou sugerindo como hipótese é que a convocação – ou invocação – é a mesma tanto na ação – a denúncia verbal dos procuradores diante das câmeras de TV – quanto na reação a ela nas redes. Não se pede pensamento, mas adesão pela fé. A verdade torna-se uma questão de crença – e a realidade se afirma pela quantidade de crentes que a ela aderem. A experiência cognitiva é substituída pelo botão de “curtir”. Em vez da reflexão, o espasmo.

Leia o texto completo AQUI

Refugiados de Belo Monte: conteúdo complementar do curso

Para quem assistiu à primeira aula do curso “Psicanálise em Situação de Vulnerabilidade Social: o Caso Belo Monte”, dada por Eliane Brum, este é o conteúdo complementar:

07/07/2015
Belo Monte, empreiteiras e espelhinhos
Como a mistura explosiva entre o público e o privado, entre o Estado brasileiro e as grandes construtoras, ergueu um monumento à violência, à beira do Xingu, na Amazônia

22/09/2015
Vítimas de uma guerra amazônica
Expulsos por Belo Monte, Raimunda e João tornam-se refugiados em seu próprio país

09/05/2016
Dilma compôs seu réquiem em Belo Monte
O julgamento mais rigoroso da presidente e do PT, no tempo da História, será feito por brasileiros como João da Silva

João e Raimunda (Foto: Lilo Clareto/Arquivo Pessoal)

João e Raimunda (Fotos: Lilo Clareto)

01/12/2014
Belo Monte: a anatomia de um etnocídio
A procuradora da República Thais Santi conta como a terceira maior hidrelétrica do mundo vai se tornando fato consumado numa operação de suspensão da ordem jurídica, misturando o público e o privado e causando uma catástrofe indígena e ambiental de proporções amazônicas

 A procuradora Thais Santi, em sua sala no Ministério Público Federal de Altamira, no Pará - Fotos: Lilo Clareto/Divulgação

Thais Santi

14/09/2015
O dia em que a casa foi expulsa de casa
A maior liderança popular do Xingu foi arrancada do seu lugar pela hidrelétrica de Belo Monte, a obra mais brutal –e ainda impune– da redemocratização do Brasil

Antonia Melo

Antonia Melo

16/02/2015
O pescador sem rio e sem letras
À beira de Belo Monte, uma história pequena numa obra gigante. Que tamanho tem uma vida humana?

18/07/2016
Casa é onde não tem fome
A história da família de ribeirinhos que, depois de expulsa por Belo Monte, nunca consegue chegar

Otávio das Chagas (Foto: Lilo Clareto/Acervo Pessoal)

Otávio das Chagas

04/06/2012
Dom Erwin Kräutler: “Lula e Dilma passarão para a História como predadores da Amazônia”
O lendário bispo do Xingu, ameaçado de morte e sob escolta policial há seis anos, afirma que o PT traiu os povos da Amazônia e a causa ambiental. Afirma também que Belo Monte causará a destruição do Xingu e o genocídio das etnias indígenas que habitam a região há séculos. Há 47 anos no epicentro da guerra cada vez menos silenciosa e invisível travada na Amazônia, Dom Erwin Kräutler encarna um capítulo da história do Brasil

Dom Erwin (Foto: Lilo Clareto)

Dom Erwin

31/10/2011
Belo Monte, nosso dinheiro e o bigode do Sarney
Um dos mais respeitados especialistas na área energética do país, o professor da USP Célio Bermann, fala sobre a “caixa preta” do setor, controlado por José Sarney, e o jogo pesado e lucrativo que domina a maior obra do PAC. Conta também sua experiência como assessor de Dilma Rousseff no Ministério de Minas e Energia

05/09/2011
Um procurador contra Belo Monte
Conheça o homem que se tornou o flagelo do governo ao lutar contra a maior e mais polêmica obra do PAC

 

Contamos com o seu apoio. Não deixe para amanhã!
REFUGIADOS DE BELO MONTE
https://www.catarse.me/pt/refugiadosdebelomonte

 

refugiados-de-belo-monte_novo99

Curso “Psicanálise em Situação de Vulnerabilidade Social: o Caso Belo Monte”

INFORMAÇÕES:   clinicadecuidado@gmail.com

PROGRAMA:

22/09: “Belo Monte: a anatomia da obra e a produção de refugiados de seu própriopaís”
Eliane Brum

29/09: “Altamira é o centro do mundo”
Marcelo Salazar (Instituto Socioambiental)

06/10: “Sofrimento e cuidado em situação de extrema vulnerabilidade: experiências sem fronteiras”
Debora Noal e Ana Cecilia Weinturb (Médicos Sem Fronteiras)

13/10: “Clínica de Cuidado: um modelo de atenção em construção”
Christian Dunker e Ilana Katz (IP-USP)

20/10: “Psicanálise em situações de exclusão e vulnerabilidade social”
Miriam Debieux (IP-USP)

27/10: “Viver e Sobreviver no Xingu”
Antonia Melo (Movimento Xingu Vivo para Sempre)

03/11: “Psicanálise e Saúde Pública + Experiência em Altamira”
Maria Livia Tourinho (IP-USP)
André Nader e Cássia Gimenes Pereira (Clínica de Cuidado)

Página 31 de 45« Primeira...1020...2930313233...40...Última »