O homem mediano assume o poder

Desde 1º de janeiro de 2019, o Brasil tem como presidente um personagem que jamais havia ocupado o poder pelo voto. Jair Bolsonaro é o homem que nem pertence às elites nem fez nada de excepcional. Esse homem mediano representa uma ampla camada de brasileiros. É necessário aceitar o desafio de entender o que ele faz ali. E com que segmentos da sociedade brasileira se aliou para desenhar um Governo que une forças distintas que vão disputar a hegemonia. Embora existam várias propostas e símbolos do passado na eleição do novo presidente, a configuração encarnada por Bolsonaro é inédita.

Neste sentido, ele é uma novidade. Mesmo que seja uma difícil de engolir para a maioria dos brasileiros que não votou nele, escolhendo o candidato oposto ou votando branco, nulo ou simplesmente não comparecendo às urnas. Bolsonaro encarna também o primeiro presidente de extrema direita da democracia brasileira. O “coiso” está no poder. O que significa?

O presidente Jair Bolsonaro (Foto: Eraldo Peres/Ap - Reprodução do El País)

O presidente Jair Bolsonaro (Foto: Eraldo Peres/AP – Reprodução do El País)

O que significa transformar o ordinário em “mito” e dar a ele o Governo do país?

Leia na minha coluna no El País 

Em português

Em espanhol

 

 

O Deus de ódio de Bolsonaro

Jair Bolsonaro, ayer durante su toma de posesión (Foto: Adriano Machado/ REUTERS - Reprodução do El País)

Jair Bolsonaro, ayer durante su toma de posesión (Foto: Adriano Machado/ REUTERS – Reprodução do El País)

El Dios del odio de Bolsonaro

Dios y el nacionalismo se mezclaron en varios momentos históricos. En general, con consecuencias devastadoras

 

Leia no El País (somente em espanhol)

O pênis de Deus

A pergunta que nos faz avançar é como um homem pode ter violado tantas mulheres por tanto tempo sem que ninguém ao seu redor o investigasse. Em 2008 foi iniciada uma ação judicial por abuso sexual, mas se considerou que a vítima de 16 anos era “incapaz de distinguir a fantasia da realidade”.  O médium se tornou ainda mais famoso na década seguinte, com muitas reportagens e programas como o de Oprah Winfrey.

A resposta pode estar menos na fé e mais no mercado.

O médium João de Deus (Foto: Marcelo Camargo/AP/Reprodução do El País)

O médium João de Deus (Foto: Marcelo Camargo/AP/Reprodução do El País)

Leia na minha no coluna no jornal El País, em Madri (só em espanhol)

A esquerda que não sabe quem é

Como deixar de apenas reagir, submetendo-se ao ritmo imposto pela extrema direita no poder, e passar a se mover com consistência, estratégia e propósito?

Madeira de extração ilegal apreendida em abril pelo Ibama Terra Indígena (TI) Pirititi, no sul de Roraima. (Foto: Felipe Werneck/Ibama/Reprodução do El País)

Madeira de extração ilegal apreendida em abril pelo Ibama Terra Indígena (TI) Pirititi, no sul de Roraima. (Foto: Felipe Werneck/Ibama/Reprodução do El País)

 Leia na minha coluna no El País 

Os “malucos” sapateiam no palco

Nas últimas décadas existiu um consenso de que, diante dos absurdos que eram ditos nas redes e em outros espaços, a melhor estratégia era não responder. Contestar pessoas claramente mal intencionadas e intelectualmente desonestas, em sua busca furiosa por fama, seria legitimá-las como interlocutor, dando crédito ao que diziam. E, assim, servir de escada para que ganhassem mais visibilidade. A frase popular que expressa essa ideia é: “Não bata palmas para maluco dançar”. A eleição de Donald Trump, de outros populistas de extrema-direita e agora de Jair Bolsonaro revelou que este foi um equívoco que vai custar muito caro.

O que se deixou de perceber é que, com a internet, os “malucos” já tinham um palco nas redes sociais e no YouTube, assim como a capacidade de multiplicá-lo sem serem perturbados no WhatsApp. As falsas teorias que inventavam eram lidas como se fossem sérias e confiáveis. Os palcos haviam mudado de lugar e os “malucos” dançaram sem serem confrontados com fatos nem incomodados por ideias. As palmas só aumentavam de volume enquanto os ilustrados torciam o nariz ou esboçavam sorrisos de superior ironia.

Os “malucos” não só dançaram, como sapatearam. Em seguida, passaram a afirmar seus pensamentos como “verdades” – e verdades únicas. O próximo passo foi conquistar o poder. Hoje os “malucos” não só ocupam os palcos mais centrais como têm o poder atômico de explodir o mundo, como Trump, ou acabar com a Amazônia, como Bolsonaro.

Bolsonaro ao lado do futuro chanceler Ernesto Araújo (Fot: Joédson Alves/ Reprodução do El País)

Bolsonaro ao lado do futuro chanceler Ernesto Araújo (Foto: Joédson Alves/ Reprodução do El País)

Os “malucos” sapateiam no palco

Aqueles que não eram levados a sério hoje têm poder atômico e também o de destruir a Amazônia

Leia na minha coluna no El País

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