As crianças dos “outros” podem ser exploradas

A infância como a conhecemos hoje é uma invenção histórica recente. As crianças tornaram-se depositários do futuro, o centro de um investimento financeiro e emocional da família e também os realizadores do que seus pais não puderam ser. Um peso demasiado grande para uns ombros tão pequenos. Mas se a idealização dessa fase da vida é um tema amplamente discutido, é importante perceber que nem todas as infâncias devem ser protegidas.
A realidade do mundo atual, cada vez mais povoado de racismos e xenofobias, é que só se deve proteger as nossas crianças. As dos outros podem explodir, serem arrancadas dos pais, morrerem de fome.

Los niños de los ‘otros’ pueden explotar

Manifestación en Texas contra la separación de familias en la frontera con México. JOSÉ MIGUEL PASCUAL EFE (Reprodução EL PAÍS)

Manifestación en Texas contra la separación de familias en la frontera con México. JOSÉ MIGUEL PASCUAL EFE (Reprodução EL PAÍS)

Desde octubre se ha arrancado a 700 niños de sus familias en la frontera entre Estados Unidos y México

 

Leia na minha coluna no El País (somente em espanhol)

Caminhoneiro: o novo velho protagonista do Brasil

O Brasil que parou o Brasil por 11 dias reivindica um lugar que perdeu e um tempo que já não existe. Neste sentido, não poderia estar mais distante dos protagonistas dos protestos de 2013. Se uma parcela significativa estava ali como autônomos, avulsos, os caminhoneiros são unidos por uma identidade muito particular, cujo papel não deve ser reduzido. As rodas dos caminhões já giram em falso há muito. Aqueles que interromperam o abastecimento do país são também homens encurralados num mundo que já não compreendem. As máquinas estacionadas nas rodovias são a potência que restou, mas essa potência já não pertence a esse século.

Rio de Janeiro 29 05 2018 Caminhoneiros protestam na Rodovia Presidente Dutra, em Seropédica, Rio de Janeiro Tomaz Silva/Ag Brasil

29/05/ 2018: Caminhoneiros protestam na Rodovia Presidente Dutra, em Seropédica, Rio de Janeiro  Tomaz Silva/Ag Brasil/Fotos Públicas

Identidade, gênero e luta de classes no protesto que parou o país e pode apontar para uma versão brasileira do eleitor de Donald Trump nas eleições

Leia na minha coluna no El País 

E AQUI na versão em espanhol

 

O lamento do povo Araweté em uma sinfonia

“Lamento para cordas” é uma composição inspirada pelo meu texto sobre um velho indígena do povo Araweté numa reunião com autoridades do mundo dos brancos. O maestro Alexandre Guerra a compôs e regeu a Orquestra Sinfônica de Budapeste, que a executou lindamente. Está no seu disco Fantasia, recém Lançado. E só nesta semana dá para ouvir de graça AQUI.

Alexandre Guerra faz literatura musical. E “Lamento para cordas” é imensamente lindo. Me sinto alargada por minhas palavras – ou minha dificuldade em encontrar as palavras, neste texto de tantos silêncios – terem inspirado algo que não existia e que agora povoa o mundo com tanta beleza. Escutem. Faz o dia ficar maior.

O texto completo sobre o disco Fantasia pode ser conferido na reportagem A mágica “literatura musical” de Alexandre Guerra.

Ouça também no site oficial de Alexandre Guerra no Youtube

Indígena Araweté, em reunião no centro de convenções de Altamira, no Pará. LILO CLARETO

Indígena Araweté, em reunião no centro de convenções de Altamira, no Pará. LILO CLARETO

 Leia AQUI o artigo que inspirou “Lamento para cordas”

 

Brasil sin ruedas (Brasil sem rodas)

O apoio popular à paralisação dos caminhoneiros pode apontar para uma versão brasileira do eleitor de Donald Trump?

Greve dos caminhoneiros, via Anchieta próximo da entrada para o Rodonel. São Bernardo do Campo, SP. 27 de maio de 2018. Fotos: Roberto Parizotti/ Fotos Públicas

Greve dos caminhoneiros, via Anchieta próximo da entrada para o Rodonel. São Bernardo do Campo, SP. 27 de maio de 2018. Foto: Roberto Parizotti/ Fotos Públicas

Minha coluna no jornal El País (somente em espanhol)

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