O golpe de Bolsonaro está em curso

Já está acontecendo: a hora de lutar pela democracia é agora

O presidente Jair Bolsonaro após uma cerimônia no Palácio do Planalto em fevereiro de 2020.ADRIANO MACHADO / REUTERS (Reprodução do El País)

O presidente Jair Bolsonaro após uma cerimônia no Palácio do Planalto em fevereiro de 2020.ADRIANO MACHADO / REUTERS (Reprodução do El País)

Só não vê quem não quer. E o problema, ou pelo menos um deles, é que muita gente não quer ver. O amotinamento de uma parcela da Polícia Militar do Ceará e os dois tiros disparados contra o senador licenciado Cid Gomes (PDT), em 19 de fevereiro, é a cena explícita de um golpe que já está sendo gestado dentro da anormalidade. Há dois movimentos articulados. Num deles, Jair Bolsonaro se cerca de generais e outros oficiais das Forças Armadas nos ministérios, substituindo progressivamente os políticos e técnicos civis no Governo por fardados – ou subordinando os civis aos homens de farda nas estruturas governamentais. Entre eles, o influente general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, segue na ativa, e não dá sinais de desejar antecipar seu desembarque na reserva.

O brutal general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, chamou o Congresso de “chantagista” dias atrás. Nas redes, vídeos com a imagem de Bolsonaro conclamam os brasileiros a protestar contra o Congresso em 15 de março. “Por que esperar pelo futuro se não tomamos de volta o nosso Brasil?”, diz um deles. Bolsonaro, o antipresidente em pessoa, está divulgando pelas suas redes de WhatsApp os chamados para protestar contra o Congresso.

Este é o primeiro movimento. No outro, uma parcela significativa das PMs dos estados proclama sua autonomia, transformando governadores e população em reféns de uma força armada que passa a aterrorizar as comunidades usando a estrutura do Estado. Como os fatos já deixaram claro, essas parcelas das PMs não respondem aos Governos estaduais nem obedecem a Constituição. Tudo indica que veem Bolsonaro como seu único líder. Os generais são a vitrine lustrada por holofotes, as PMs são as forças populares que, ao mesmo tempo, sustentam o bolsonarismo e são parte essencial dele. Para as baixas patentes do Exército e dos quartéis da PM, Bolsonaro é o homem.

(continue lendo minha coluna no link do EL PAÍS Brasil)

Os cúmplices

Em 2020, cada um saberá quem é diante de uma realidade que exige coragem para enfrentar e coragem para perder

Fazendeiro caminha em meio a área devastada por incêndio na região de Porto Velho, Rondônia. (Foto: CARL DE SOUZA (AFP/Reprodução do El País)

Fazendeiro caminha em meio a área devastada por incêndio na região de Porto Velho, Rondônia. (Foto: CARL DE SOUZA (AFP/Reprodução do El País)

Leia no El País

 

Protejam Erasmo: ele pode ser assassinado a qualquer momento

A grilagem e a pistolagem não fazem recesso nem têm férias coletivas nem folga prolongada no final do ano. A carnificina já começou na Amazônia – ou se intensificou. Os grileiros estão cada vez mais no comando, agora com o aval governamental. Erasmo é um dos marcados para morrer.

Conto aqui por que a violência na Amazônia aumentou em 2019 e por que a sociedade precisa se organizar para barrar as mortes. Sei que o momento é de festas para muitos, mas abram um espaço nas compras de Natal pra ler e conhecer o que está acontecendo agora na floresta. Sendo religioso ou não, essa época deveria justamente renovar a solidariedade. Este é meu conto real de Natal.

O agricultor Erasmo Alves Teófilo, liderança na Volta Grande do Xingu, na Amazônia, está marcado para morrer por lutar contra o poder de destruição da grilagem (Foto: Jonathan Watts)

O agricultor Erasmo Alves Teófilo, liderança na Volta Grande do Xingu, na Amazônia, está marcado para morrer por lutar contra o poder de destruição da grilagem (Foto: Jonathan Watts)

 

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