A esquerda que não sabe quem é

Como deixar de apenas reagir, submetendo-se ao ritmo imposto pela extrema direita no poder, e passar a se mover com consistência, estratégia e propósito?

Madeira de extração ilegal apreendida em abril pelo Ibama Terra Indígena (TI) Pirititi, no sul de Roraima. (Foto: Felipe Werneck/Ibama/Reprodução do El País)

Madeira de extração ilegal apreendida em abril pelo Ibama Terra Indígena (TI) Pirititi, no sul de Roraima. (Foto: Felipe Werneck/Ibama/Reprodução do El País)

 Leia na minha coluna no El País 

Os “malucos” sapateiam no palco

Nas últimas décadas existiu um consenso de que, diante dos absurdos que eram ditos nas redes e em outros espaços, a melhor estratégia era não responder. Contestar pessoas claramente mal intencionadas e intelectualmente desonestas, em sua busca furiosa por fama, seria legitimá-las como interlocutor, dando crédito ao que diziam. E, assim, servir de escada para que ganhassem mais visibilidade. A frase popular que expressa essa ideia é: “Não bata palmas para maluco dançar”. A eleição de Donald Trump, de outros populistas de extrema-direita e agora de Jair Bolsonaro revelou que este foi um equívoco que vai custar muito caro.

O que se deixou de perceber é que, com a internet, os “malucos” já tinham um palco nas redes sociais e no YouTube, assim como a capacidade de multiplicá-lo sem serem perturbados no WhatsApp. As falsas teorias que inventavam eram lidas como se fossem sérias e confiáveis. Os palcos haviam mudado de lugar e os “malucos” dançaram sem serem confrontados com fatos nem incomodados por ideias. As palmas só aumentavam de volume enquanto os ilustrados torciam o nariz ou esboçavam sorrisos de superior ironia.

Os “malucos” não só dançaram, como sapatearam. Em seguida, passaram a afirmar seus pensamentos como “verdades” – e verdades únicas. O próximo passo foi conquistar o poder. Hoje os “malucos” não só ocupam os palcos mais centrais como têm o poder atômico de explodir o mundo, como Trump, ou acabar com a Amazônia, como Bolsonaro.

Bolsonaro ao lado do futuro chanceler Ernesto Araújo (Fot: Joédson Alves/ Reprodução do El País)

Bolsonaro ao lado do futuro chanceler Ernesto Araújo (Foto: Joédson Alves/ Reprodução do El País)

Os “malucos” sapateiam no palco

Aqueles que não eram levados a sério hoje têm poder atômico e também o de destruir a Amazônia

Leia na minha coluna no El País

Eh, vovô, deixa de ser um bosta!

Se você nasceu no início do século, descobre que vai passar os melhores anos da sua vida em um planeta afetado por eventos extremos e você percebe que os países estratégicos para combater as alterações climáticas, como os EUA e o Brasil, são liderados por Donald Trump e Jair Bolsonaro, o que você faz?

Alguns imitam os adultos, enfiam a cabeça debaixo do travesseiro e pensam que a catástrofe só vai recair sobre os mais pobres. Outros já sentem os efeitos e migram com suas famílias porque as colheitas foram ruins ou a água desapareceu. E outros já começam a fazer o que os mais velhos deveriam estar fazendo. Diante de homens e mulheres infantilizados, em muitos casos os seus próprios pais, e loucos de extrema direita que se reproduzem pelo mundo, lidam com os grãos, os hormônios e o aquecimento global.

 

Greta Thunberg muestra el lema (Foto: HANNA FRANZEN/(EFE, Reprodução do El País)

Greta Thunberg muestra el lema (Foto: HANNA FRANZEN/EFE, Reprodução do El País)

¡Eh, abuelo, deja de ser un mierda!

Jóvenes activistas del clima exigen responsabilidad a los adultos

Leia no El País (em espanhol)

Rebelião e êxodo

Sempre me impressiona que a caravana de migrantes que há semanas atravessa a América Latina em direção aos EUA não esteja todos os dias na capa dos jornais. Não há nada mais chocante do que adultos e crianças tão desesperados que estejam dispostos a enfrentar as tropas que Trump mandou para a fronteira. Claramente o presidente americano inventou uma ameaça para usar nas recentes eleições. Mas o êxodo centro-americano é real e costuma ser atribuído à violência e à pobreza, porque são as causas mais fáceis de nomear. Na origem de muitas das histórias está a redução das colheitas de alimentos de pequenos agricultores e indígenas em Honduras, El Salvador e  Guatemala, porque “o clima já não é mais o mesmo”. E, então, as outras causas – pobreza, fome, violência – se tornam mais agudas. O que essa massa de aflitos dispostos a tudo para sobreviver pode revelar é o primeiro grande êxodo latino-americano movido pelas alterações climáticas. Possivelmente, o primeiro de muitos.

 

Manifestantes del movimiento Extinction Rebellion ocuparon cinco puentes de Londres el pasado sábado.( KRISTIAN BUUS IN PICTURES VIA GETTY IMAGES/Reprodução El País)

Manifestantes del movimiento Extinction Rebellion ocuparon cinco puentes de Londres el pasado sábado.( KRISTIAN BUUS IN PICTURES VIA GETTY IMAGES/Reprodução El País)

Rebelión y éxodo

Con una parte del planeta gobernada por populistas de extrema derecha, la humanidad enfrenta su mayor desafío

Leia no El País (em espanhol)

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