Para compreender a brutal misoginia do antipresidente é necessário falar de Cassia e de Dilma

O presidente Jair Bolsonaro fala com a imprensa na saída de um evento em Miami.ZAK BENNETT / AFP (Reprodução do El País)
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Para compreender a brutal misoginia do antipresidente é necessário falar de Cassia e de Dilma

O presidente Jair Bolsonaro fala com a imprensa na saída de um evento em Miami.ZAK BENNETT / AFP (Reprodução do El País)
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Los golpes ya no ocurren de repente. La democracia en Brasil la están devorando como parásitos: desde dentro, un poco más cada día.

El presidente de Brasil, Jair Bolsonaro, en Montevideo, el pasado domingo. RAÚL MARTÍNEZ EFE (Reprodução do El País)
Leia na minha coluna no El País – Espanha
Já está acontecendo: a hora de lutar pela democracia é agora

O presidente Jair Bolsonaro após uma cerimônia no Palácio do Planalto em fevereiro de 2020.ADRIANO MACHADO / REUTERS (Reprodução do El País)
Só não vê quem não quer. E o problema, ou pelo menos um deles, é que muita gente não quer ver. O amotinamento de uma parcela da Polícia Militar do Ceará e os dois tiros disparados contra o senador licenciado Cid Gomes (PDT), em 19 de fevereiro, é a cena explícita de um golpe que já está sendo gestado dentro da anormalidade. Há dois movimentos articulados. Num deles, Jair Bolsonaro se cerca de generais e outros oficiais das Forças Armadas nos ministérios, substituindo progressivamente os políticos e técnicos civis no Governo por fardados – ou subordinando os civis aos homens de farda nas estruturas governamentais. Entre eles, o influente general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, segue na ativa, e não dá sinais de desejar antecipar seu desembarque na reserva.
O brutal general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, chamou o Congresso de “chantagista” dias atrás. Nas redes, vídeos com a imagem de Bolsonaro conclamam os brasileiros a protestar contra o Congresso em 15 de março. “Por que esperar pelo futuro se não tomamos de volta o nosso Brasil?”, diz um deles. Bolsonaro, o antipresidente em pessoa, está divulgando pelas suas redes de WhatsApp os chamados para protestar contra o Congresso.
Este é o primeiro movimento. No outro, uma parcela significativa das PMs dos estados proclama sua autonomia, transformando governadores e população em reféns de uma força armada que passa a aterrorizar as comunidades usando a estrutura do Estado. Como os fatos já deixaram claro, essas parcelas das PMs não respondem aos Governos estaduais nem obedecem a Constituição. Tudo indica que veem Bolsonaro como seu único líder. Os generais são a vitrine lustrada por holofotes, as PMs são as forças populares que, ao mesmo tempo, sustentam o bolsonarismo e são parte essencial dele. Para as baixas patentes do Exército e dos quartéis da PM, Bolsonaro é o homem.
(continue lendo minha coluna no link do EL PAÍS Brasil)
O silenciamento da pessoa-chave para elucidar crimes, que podem estar ligados ao clã Bolsonaro, aprofunda a pergunta mais perigosa da República

Homem caminha em frente a um mural de Marielle Franco, no Rio de Janeiro. (Reprodução do El País)
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