Marina Silva: ‘Na minha opinião pessoal, a Petrobras não pode continuar a ser uma empresa de petróleo’

MAR 2023 ENTREV MARINA SILVAEm entrevista exclusiva a SUMAÚMA, Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, fala sobre temas espinhosos como a exploração de combustíveis fósseis na foz do Amazonas e a renovação da licença de operação da desastrosa hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu

ELIANE BRUM
BRASÍLIA
13 março 2023

Até chegar à sala de Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente e (felizmente, agora também) Mudança do Clima, passei por vários funcionários empolgados. Há uma visível animação nos corredores do prédio modernista da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Para aqueles que sobreviveram aos anos de Jair Bolsonaro e seus ministros contra o meio ambiente, Ricardo Salles e o menos histriônico – mas não menos destrutivo – Joaquim Álvaro Pereira Leite, a mudança é tão radical que nem parece o mesmo prédio. Para os que chegaram agora ou retornaram depois do longo e tenebroso inverno que durou quatro anos que pareceram 40, a ideia de poder voltar a trabalhar a favor do meio ambiente vira essa alegria que é potência de agir, tão presente na floresta amazônica. E isso mesmo sabendo que voltaram para terra literalmente arrasada e que os desafios são imensos. Seriam em qualquer contexto, mas se tornam muito maiores numa estrutura material e humana “amputada”, reproduzindo a palavra que a ministra usa na entrevista a seguir, e com um orçamento que, apesar do aumento conquistado durante a transição, ainda é muito menor do que as necessidades.

Leia a entrevista em SUMAÚMA

 

The Fate of the Amazon Is on the Line as Brazil Goes Back to the Polls

TIME 
BY ELIANE BRUM AND JONATHAN WATTS
OCTOBER 29, 2022 9:00 AM EDT
Brum has reported from the Amazon for more than ten years; Watts is a Guardian environment writer. They recently launched the rainforest-based, trilingual news site Sumauma

View of a burnt are of the Amazonia rainforest in Apui, southern Amazonas State, Brazil, on September 21, 2022. - According to the National Institute for Space Research (INPE), hotspots in the Amazon region saw a record increase in the first half of September, being the average for the month 1,400 fires per day. MICHAEL DANTAS-AFP (Reprodução da Time)

View of a burnt are of the Amazonia rainforest in Apui, southern Amazonas State, Brazil, on September 21, 2022. – According to the National Institute for Space Research (INPE), hotspots in the Amazon region saw a record increase in the first half of September, being the average for the month 1,400 fires per day. MICHAEL DANTAS-AFP (Reprodução da Time)

For Amazonian land activist Erasmo Theofilo, this year’s Brazilian presidential election is the most important in the country’s history. But he could not vote during the first round on October 2 because he and his family were in hiding from assassins.
Since Jair Bolsonaro came to power in 2019, this is the fourth time that Theofilo, his wife Nathalha, and their four small children have had to go into protection programs to avoid assassination. Two of their colleagues have been murdered, bullets have been fired at their home, their children have been threatened, and local businessmen who want to use the land for cattle ranching have reportedly put a price on their heads.

Leia o artigo completo na TIME, clicando AQUI (somente em inglês)

Cenários do Brasil: catástrofe, golpe ou dificuldade extrema

Manifestación contra el presidente de Brasil, Jair Bolsonaro. EUROPA PRESS/CONTACTO/CRIS FAGA (EUROPA PRESS/CONTACTO/CRIS FAGA - Reprodução do El País)

Manifestación contra el presidente de Brasil, Jair Bolsonaro.
EUROPA PRESS/CONTACTO/CRIS FAGA (EUROPA PRESS/CONTACTO/CRIS FAGA – Reprodução do El País)

A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que, se a eleição fosse hoje, Lula se elegeria no primeiro turno. É a torcida de muitos, por entenderem que seria mais difícil para Jair Bolsonaro executar o golpe que prepara e anuncia em caso de derrota. O problema para Lula – e para qualquer brasileiro que tenha gosto pela democracia – é que o melhor cenário é de extrema dificuldade.

Se Bolsonaro se reeleger, o que está longe de ser impossível, é catástrofe. Se em menos de quatro anos o atual presidente já desmontou o melhor que a democracia construiu no país nos últimos 40 anos, mesmo o mais pessimista teria dificuldades em antecipar o pavor de um segundo mandato. Bolsonaro provou que sua capacidade de destruição é maior do que seus maiores críticos previam. O Brasil se aproxima das eleições com 33 milhões de pessoas em estado de fome crônica. Se Bolsonaro perder e der o golpe que prepara e anuncia, num país em que o número de armas nas mãos de civis quadruplicou durante seu governo, será um horror com consequências difíceis de prever. O melhor cenário é a eleição do único candidato com condições de vencê-lo – Lula – e é este o sentimento que as pesquisas apontam.

O problema é o dia seguinte. E quem melhor o encarnou foi a cantora Anitta, hoje a mais popular artista brasileira no cenário global. Depois que anunciou nas redes sociais seu voto em Lula, o PT tentou usar sua imagem para impulsionar outras candidaturas do partido. Anitta lacrou: “Atenção candidatos do PT, atenção partido PT. Eu NÃO SOU petista. Não autorizo o uso da minha imagem para promover este partido e seus candidatos. Minha escolha nessas eleições foi de trazer engajamento e mídia para a pessoa que tem maior chance de vencer Voldemort (usando a referência ao vilão de Harry Potter para nomear Bolsonaro) nessas eleições”.

Uma parcela daqueles que votarão em Lula só o farão, como Anitta, porque ele é a única chance de derrotar Bolsonaro. Não é um voto de confiança ou adesão ao projeto do PT – e sim um voto antibolsonaro. Para que isso seja possível, Lula busca conciliar os inconciliáveis, fazendo alianças com quem votou pelo impeachment de Dilma Rousseff e com notórios destruidores da Amazônia. O próprio vice, Geraldo Alckmin, quatro vezes governador de São Paulo com um projeto de direita, tem uma folha corrida que causa arrepios, com violência contra estudantes em protesto e massacre de sem-tetos, sem contar o fato de ser padrinho na política de Ricardo Salles, que com Bolsonaro se tornou o pior ministro de meio ambiente da história do Brasil.

Juntar gente que não consegue ficar na mesma sala talvez seja a única forma de derrotar Bolsonaro, mas certamente é uma perspectiva muito difícil para governar um país arruinado. No dia seguinte à possível vitória, a única base para a aliança circunstancial de muitos – derrotar Bolsonaro – vai se desfazer. Restará um presidente que envelheceu nas ideias, que já não representa uma utopia de futuro e que estará amarrado a aliados perigosos. Se no passado Lula representou a esperança, hoje ele representa apenas a esperança de derrotar Voldemort. Ser brasileiro e ser democrata hoje é torcer – muito – pela dificuldade extrema.

Minha coluna no El País (em espanhol)

 

O negacionista “sincero” pode nos levar à extinção

Nossos problemas seriam infinitamente menores se os negacionistas fossem apenas Bolsonaro e sua turma. Estamos em emergência climática, mas a maioria vive como se esse fosse um assunto paralelo. Nesta coluna do EL PAÍS Brasil escrevo para o negacionista sincero, infelizmente a maioria da população, mas que ainda pode despertar em pé e agir.

Manifestantes protestam contra o uso de combustíveis fósseis durante a a Cúpula do Clima em Glasgow, nesta quarta. YVES HERMAN (REUTERS) - Reprodução do El País Brasil

Manifestantes protestam contra o uso de combustíveis fósseis durante a a Cúpula do Clima em Glasgow, nesta quarta.
YVES HERMAN (REUTERS) – Reprodução do El País Brasil

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