Diário de Guerra – SUMAÚMA: Genocídio Yanomami

yanomamis1Dados obtidos com exclusividade por SUMAÚMA mostram que, durante o governo do extremista de direita Jair Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami: 570 pequenos indígenas morreram nos últimos 4 anos por doenças que têm tratamento.

A reportagem “Não estamos conseguindo contar os corpos”, de Ana Maria Machado, Talita Bedinelli e Eliane Brum, publicada em 20 de janeiro de 2023 no site SUMAÚMA, gerou uma série de ações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e da sociedade.

Confira em SUMAÚMA a cobertura completa sobre o tema:

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Justiça para Bruno e Dom

latuff

Esta é uma guerra. Bruno Pereira e Dom Phillips são vítimas de guerra. Precisamos lutar pela vida: 1) só existirá justiça para Dom e Bruno quando o crime for elucidado e os mandantes identificados, julgados e punidos; 2) é obrigatório virar cada voto nesta eleição. Se quisermos seguir vivos, Bolsonaro NÃO pode ser reeleito nem podemos permitir que dê um golpe; 3) é urgente fazer pressão massiva contra o pacote de maldades que tramita em Brasília para abrir ainda mais a floresta para a destruição; 4) é imperativo apoiar os povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia e dos outros biomas em todas as suas lutas. Eles não podem ficar sozinhos. 5) Cada pessoa ameaçada na floresta tem que ser tratada como se fosse da família. Nem um a menos. Cada dia é dia de luta. Chega de sangue!
indigenas dom

Bruno e Dom são vítimas do projeto de Bolsonaro para a Amazônia, que temos denunciado sem parar. O que restou deles só foi encontrado porque os indígenas os procuraram desde o primeiro minuto. Todos os não indígenas têm uma dívida profunda com os indígenas. Sempre tivemos, porque se ainda existe natureza sobre esse chão que chamamos Brasil é pela resistência deles. Agora, essa dívida se tornou ainda maior. Fizeram por dois homens brancos o que o Estado e suas forças de segurança sustentadas por dinheiro público não fizeram. Profunda gratidão à Univaja e a todos os que se envolveram nesta busca.justica por dom phillips

Se a execução de Dom e Bruno ficar impune, todos nós que estamos na Amazônia lutando pela floresta estaremos com um alvo na cabeça. Os suspeitos são só a ponta mais fácil de prender e condenar. São peões num jogo muito maior e que costuma ser decidido bem longe da Amazônia. É preciso encontrar, julgar e punir os mandantes. A mobilização por Dom e Bruno precisa seguir. Pela vida. A nossa e a da floresta.

#JustiçaParaBrunoEDom #ForaBolsonaro

 

 

Três andares de impunidade na Amazônia

Juma Xipaya en noviembre de 2020 en Altamira (Brasil). LILO CLARETO (Reprodução do El País)

Juma Xipaya em novembro de 2020 em Altamira (Brasil).
LILO CLARETO (Reprodução do El País)

Uma balsa de garimpo de três andares, 30 metros de comprimento e custo estimado de 2 milhões de reais navegando pela Amazônia é a mais nova imagem da destruição da floresta apoiada pelo governo de Jair Bolsonaro.

Em 14 de abril, sete garimpeiros – cinco adultos e dois adolescentes – alcançaram a terra do povo Xipaya e ameaçaram o pai de Juma, a primeira cacica do seu povo e uma das estrelas da Cúpula do Clima de Glasgow. Em seguida, a embarcação monstruosa navegou por duas unidades de conservação: as reservas extrativistas do rio Iriri e do Riozinho do Anfrísio. Agentes da Força Nacional e do ICMBio, órgão responsável pela conservação da biodiversidade, apreenderam a balsa e prenderam os criminosos em flagrante.

Parecia uma rara vitória em uma das linhas de frente da guerra climática. Mas enquanto Bolsonaro estiver no poder, as chances de a humanidade controlar o superaquecimento global diminuem um pouco – ou muito – mais a cada minuto No domingo, a Polícia Federal soltou os criminosos. A desculpa singela: não conseguiriam levá-los a uma delegacia nas 24 horas previstas pela lei porque a região seria de “difícil acesso”.

Uma das principais estratégias do governo de ultradireita do Brasil é devorar as instituições desde dentro. Não é necessário fechá-las, como acontecia em regimes autoritários do século 20: elas seguem existindo, mas não funcionam contra o presidente, sua família, seus amigos e sua base de apoio. Até Bolsonaro assumir o poder, a Polícia Federal era uma das poucas forças de segurança que tinha o respeito da população. As demais eram marcadas tanto pela corrupção quanto pela prática cotidiana de execução de suspeitos. Bolsonaro está conseguindo destruir a imagem da única polícia que parecia funcionar no Brasil.

Após serem soltos, os garimpeiros zombaram dos povos da floresta que os denunciaram, mostrando de que lado está a força no país. Adultos e crianças agora dormem e acordam aterrorizados, na mira de criminosos que invadem o território com a certeza de ter o Governo e as forças de segurança controladas pelo bolsonarismo ao seu lado.

No início do milênio, a região amazônica chamada de Terra do Meio, um enclave de natureza de milhões de hectares, era um dos últimos em que a floresta ainda respirava. Mantê-la viva era estratégico para qualquer cenário em que a vida humana pudesse ser preservada. Fui a primeira jornalista a alcançar a região na companhia do fotógrafo Lilo Clareto, em 2004. Chegamos ao Riozinho do Anfrísio, a comunidade mais ameaçada, depois de quatro dias de viagem de rio. Navegávamos ao lado do principal líder da resistência, um homem chamado Herculano Porto, cuja cabeça estava na mira das balas de madeireiros e grileiros.

Na semana passada, 18 anos depois, enquanto a balsa monstruosa profanava a Terra do Meio, eu semeava com a família e amigos as cinzas de Lilo, morto por covid-19. Conforme seu desejo, Lilo misturou-se a floresta e seus seres no ponto exato onde o Riozinho beija o Iriri. No dia seguinte, 14 de abril, Herculano Porto teve sua história lembrada numa homenagem cujo objetivo era marcar o passado de luta para a nova geração que hoje se corrompe ao se aliar aos destruidores da floresta. E então a balsa de garimpo chegou, os criminosos foram presos e depois liberados. Mais uma vez, a certeza é a de que resistir é se arriscar a ser morto. Melhor então se aliar a quem manda no país.

É preciso que a sociedade brasileira e também a global entendam: o futuro da humanidade guardado na maior floresta tropical do planeta depende da luta travada no presente contra um governo que usa a máquina do Estado para destruir a Amazônia. Sozinhos demais, estamos perdendo. E perdendo. E perdendo mais uma vez.

 

Leia no El País (somente em espanhol)

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