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Escola Sem Pinto
Minha coluna no El País:
Como a tentativa de censura a um livro didático no norte do país mostra que, no Brasil atual, a ignorância não é apenas uma tragédia nacional, mas um instrumento político usado por milícias de ódio
Como a história ensina, para quem teve a chance de aprender, a opressão se instala devagar. É um acontecimento aqui, outro lá, aparentemente sem conexão. E assim ela vai se infiltrando primeiro nas franjas do cotidiano, nas periferias dos debates. E depois vai avançando para a área central até tornar-se o próprio centro. A cada novo linchamento, a cada nova fogueira, e elas são ateadas pela direita, mas também pela esquerda, muitos têm se calado. Há gente demais se esquecendo de sua responsabilidade pública e soprando as brasas para longe de si. Muitos que têm espaço para falar e ressonância para ser escutado têm silenciado, na esperança de que a vítima mais recente da inquisição promovida nas redes sociais e em certa mídia se incinere sozinho na fogueira da sua reputação e que nenhuma brasa caia no seu quintal. Lamento dizer, mas vai cair. E aí, talvez, seja tarde demais para reagir.”
Leia o texto completo AQUI
Escola Sem Pinto
De uma branca para outra
Acredito muito em cartas, porque elas pressupõem um remetente e um destinatário. Sugerem uma conversa, um convite ao diálogo. E, como uma carta é longa, ou seria um bilhete, exige que as palavras demorem ao serem marcadas. E então podemos apalpar o corpo das palavras antes de as lançarmos ao mundo.
Ao acompanhar a “polêmica do turbante”, decidi que só poderia falar sobre isso através de uma carta, porque precisava falar sobre isso com afeto. É uma carta para Thauane, para todas as mulheres brancas, para tod@s e também para mim mesma.
Nela, explico aquilo que tenho sentido cada vez mais fortemente nos meus ossos e que nomeio como “existir violentamente”.
Espero que esta carta possa atravessar os muros e chegar ao seu destino.

Marcha das Mulheres Negras em Brasília, em 2015. MARCELO CASAL JR AGÊNCIA BRASIL (Reprodução do El País)
O turbante e o conceito de existir violentamente
Thauane,
O episódio relatado por você e a repercussão do seu relato são tudo menos uma banalidade. Ambos contam de um momento muito particular do Brasil no que se refere à denúncia do racismo. Um momento que, por sua riqueza, não pode ser interditado por muros. É por isso que decidi escrever minha coluna pública como uma carta para você. Porque não poderia falar de você como “a branca do turbante”, apenas. Sim, você é branca. E você colocou um turbante. Mas você também é Thauane, uma mulher e suas circunstâncias. E, assim, a carta é o gênero com que posso melhor expressar meu afeto.
Leia o texto completo na minha coluna no El País
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Morrendo como objeto
Minha coluna no El País:
O sistema médico-hospitalar faz de nós violentados: em vez de viver o luto, temos que lidar com o trauma
Somos seres que morrem, isso não podemos evitar. Somos seres que perdem aqueles que amam, e isso também não podemos evitar. Mas há algo aterrador que persiste, e isso podemos evitar. E, mais do que evitar, combater. É preciso que os mortos por causas não violentas cessem de morrer violentamente dentro dos hospitais.
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Outras reportagens e artigos sobre o luto e o morrer:
A enfermaria entre a vida e a morte
Lá, eles respeitam o tempo de morrer. Lá, cuidar é mais importante que curar. Lá, todo dia eles respondem: prolongar a vida ou aceitar o fim?
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Os últimos 115 dias da vida de Ailce de Oliveira Souza
Minha vida com Ailce
Eliane Brum conta como foi fazer uma reportagem que só terminaria com a morte da personagem principal
O filho possível
Acompanhamos uma UTI neonatal que trabalha com cuidados paliativos. Nela, a medicina faz diferença mesmo quando não há cura
A mãe órfã
Lutos mal elaborados também matam
A mulher que restou
Como viver depois de perder o marido e a filha única em 20 meses? Joan Didion responde à tragédia num texto delicado e brutal
A vida na “Tumorlândia”
O grande polemista Christopher Hitchens conta, com a inteligência e a ironia que marcaram a sua obra, como é a vida no mundo novo e muito peculiar no qual são lançadas as pessoas a partir do diagnóstico de um câncer
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Testamento vital
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O mundo da gente morre antes da gente
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Morrendo na primeira pessoa
Depois de se tornar interdita e silenciada no século 20, a morte ganha cada vez mais espaço em narrativas confessionais de notáveis e de anônimos. Em nossa época, a internet e as redes sociais alteram também o modo como olhamos e falamos sobre a doença, o envelhecimento, o luto e o fim da vida