Precisamos falar sobre o PSDB

Precisamos falar como o partido abandonou a social-democracia, migrou para a direita e deixou amplas digitais na destruição do processo democrático. Um dos principais riscos da polarização é justamente embaralhar o que é continuidade e o que é ruptura. Neste momento, em que o PSDB, hoje um partido de direita, tenta se vender como o “centro” que um dia foi, é fundamental recuperar a perspectiva do processo histórico. A falta de responsabilização do PSDB como um dos principais agentes de destruição da democracia é um dos enigmas da atual paisagem política brasileira. Ao embarcar no discurso do antipetismo, o PSDB colaborou fortemente para colocar na conta exclusiva do PT todo o desencanto com a política e os políticos, ao mesmo tempo em que se aproximou de tudo o que Jair Bolsonaro representa e defende. O partido deixou amplamente suas digitais na corrosão da democracia cujas consequências são Jair Bolsonaro. O PSDB não é apenas mais um que tem seu DNA na mais recente escalada autoritária do Brasil. O PSDB está em sua gênese.

José Serra, João Doria e Bruno Araújo —presidente da sigla— durante a 15ª convenção do PSDB, em maio de 2019.ORLANDO BRITO / PSDB (Reprodução do El País)

José Serra, João Doria e Bruno Araújo —presidente da sigla— durante a 15ª convenção do PSDB, em maio de 2019. ORLANDO BRITO /PSDB (Reprodução do El País)

Leia no EL PAÍS (em português e em espanhol)

A Academia do Oscar fez justiça ao expulsar Polanski e Cosby por crimes contra as mulheres?

Bill Cosby y Roman Polanski, en imágenes de 2006 y 2017, respectivamente AP (Reprodução El País)

Bill Cosby y Roman Polanski, en imágenes de 2006 y 2017, respectivamente AP (Reprodução El País)

As mulheres, tantas vezes chamadas de putas, vagabundas, bruxas, tantas vezes socialmente condenadas e excluídas por isso, impedidas de se expressar, barradas em seus desejos, enclausuradas como loucas, conhecem melhor do que ninguém o que é a morte em vida. A morte pelo ostracismo e pela exclusão. O peso de um linchamento público. A invisibilidade mesmo sendo visível. O vazio de ser condenada a não ser vista pelo outro, pelos outros. A voz que grita e que mesmo assim não é escutada.

A experiência das mulheres de ser violentada de tantas maneiras neste mundo, uma delas pelo silêncio diante de seus gritos, deve nos ajudar a querer justiça para os assediadores, abusadores e estupradores – mas nunca, jamais vingança. A vingança não nos merece.

Leia no El País

 

 

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