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1000 dias sem Marielle
Hoje, há 1000 dias sem Marielle Franco e Anderson Gomes, estamos juntos lembrando e fazendo lembrar, estamos juntos exigindo justiça. E, por estarmos juntos, somos mais potentes.
Somos +um+um+… O que fazemos, hoje, juntos, é dizer: não esqueceremos nem deixaremos esquecer.
Lembrar, fazer memória da execução de uma mulher, negra, LGBTQIAS+, criada na favela, que ousou fazer política no centro, desafiando os donos do poder e as milícias, é gesto coletivo de resistência. Estamos dizendo que não aceitamos mais um país em que uma parte da população é “matável” por sua cor, por seu gênero, por sua orientação sexual, por sua classe social. Estamos dizendo que o genocídio negro e indígena tem que parar. Ao pedirmos justiça por Marielle estamos pedindo justiça por Marielle, estamos pedindo justiça por Anderson e estamos pedindo justiça por todos os que foram assassinados por sua cor, por sua orientação sexual, por sua origem social, por seu gênero, por suas lutas políticas.
A investigação sobre a execução de Marielle já lançou luz sobre o crime organizado, em especial as milícias, no Rio. Identificar, julgar e responsabilizar os mandantes do assassinato de Marielle Franco vai, ao mesmo tempo, revelar ainda mais o Brasil e também mudar o Brasil.
A responsabilização ou a não responsabilização dos mandantes da execução de Marielle determinará que país seremos e também que povo seremos. O assassinato de Marielle e a nossa capacidade, como sociedade, de fazer ou não justiça, representa essa encruzilhada. Essa é uma luta entre os Brasis que acreditam que as Marielles podem continuar sendo assassinadas sempre que deixarem o lugar subalterno que foi determinado às mulheres negras e os Brasis que acreditam que é preciso acabar com o racismo estrutural ou não teremos nenhuma chance de criar um futuro possível com todos os outros. Vidas negras importam, é isso o que estamos dizendo. Estamos dizendo também, junto com a Coalizão Negra por Direitos, que enquanto houver racismo não haverá democracia.
Marielle representa as periferias que reivindicam seu legítimo lugar de centro, representa tudo o que as forças autoritárias querem silenciar e apagar – também à bala. Não permitiremos!
Meu pequeno gesto diário, há 1000 dias, é resistência. Quando eu tuíto e posto no Facebook – Quem mandou matar Marielle? E por quê? – estou fazendo o pequeno, muito pequeno mesmo, gesto de levantar meu cartaz e fincar numa esquina movimentada de mundo. Se formos milhões pedindo todos os dias justiça por Marielle, nos moveremos nesse país. Em direção à vida, em direção à equidade racial, social, de gênero. Vamos todos, juntos, perguntar todos os dias, vamos todos exigir justiça para Marielle e Anderson, vamos todos afirmar em uma só voz: nenhuma/nenhum a menos.
Vote em Marielle
A polarização já não se dá entre Bolsonaro e Lula, mas entre Bolsonaro e Marielle Franco.

Manifestantes seguram faixa alusiva a Marielle Franco em protesto contra .Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro, em 7 de junho de 2020. PILAR OLIVARES / REUTERS (Reprodução do El País)
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Mães Yanomami imploram pelos corpos de seus bebês
O caso dos bebês Sanöma: é inacreditável a tortura a que as mulheres Sanöma e todo o povo Yanomami estão submetidos. A pandemia de covid-19 abriu um novo e pavoroso capítulo de violação dos direitos dos povos originários pelo Estado brasileiro.

Crianças do povo Sanöma, que vive na Terra Indígena Yanomami, na fronteira do Brasil com a Venezuela. SÍLVIA GUIMARÃES / ARQUIVO PESSOAL (Reprodução do El País)
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Nota de Eliane Brum: O melhor antídoto para a violência é o conhecimento que permite compreender uma outra forma de viver. Para que o desespero das mães dos bebês Sanöma mortos em Boa Vista, no Estado de Roraima, no contexto da pandemia de covid-19, possa ser entendido em profundidade, o El País publicou trechos de um artigo da antropóloga Sílvia Guimarães, professora da Universidade de Brasília (UnB), intitulado O drama ritual da morte para os Sanöma. Leia no El País

Foto de 1974 retrata o ‘reahu’, outro ritual tradicional indígena Yanomami. Imagem faz parte da famosa série da fotógrafa Claudia Andujar na região amazônica.CLAUDIA ANDUJAR (Reprodução do El País)