A eleição do “contra”

É a primeira vez que um ato durante a campanha não é a favor de um candidato ou de ideias, mas sim contra um candidato e as ideias que ele representa. Votar contra, mais do que votar a favor, é também a marca dessas eleições. O fenômeno é eco da cultura da internet.

Manifestación de mujeres en Sao Paulo contra el candidato Jair Bolsonaro. MIGUEL SCHINCARIOL (AFP/Reprodução El País)

Manifestación de mujeres en Sao Paulo contra el candidato Jair Bolsonaro. MIGUEL SCHINCARIOL (AFP/Reprodução El País)

Mujeres versus ‘desto’

Es la primera vez que el voto de las mujeres es tan diferente del de los hombres: de cada tres electores de Bolsonaro, solo uno es mujer

Leia no El País (somente em espanhol)

Mulheres contra a opressão

O voto das mulheres negras pode determinar o destino de Bolsonaro. Este não é definitivamente um dado qualquer no Brasil. Há grande poder e significado nessa constatação. É bastante simbólico que seja esta a força que toda a repressão dos últimos anos do país, todos os direitos a menos, não conseguiu parar.

Reprodução Facebook

Reprodução Facebook

O maior movimento de resistência ao projeto autoritário mostra que apoiar Bolsonaro é votar a favor das forças que empobrecem o país e violentam os mais frágeis

Leia na minha coluna no El País 

 

A violência em Roraima é contra a imagem no espelho

A fronteira é um espaço de sobreviventes, que já conheceram o pior de vários mundos, sofreram estigmas, preconceitos e indignidades, e estão lutando por um lugar. Em condições favoráveis, são calorosos e solidários. Quando algo ameaça a sua posição, permanentemente instável, são pragmáticos. Fronteira é um não lugar de humanidades ferozes. Quem se torna elite nessas regiões é porque aprendeu a manipular paixão e medo.
A imagem dos venezuelanos entrando e entrando, desesperados, miseráveis e famintos, é a imagem que um migrante mais teme para si mesmo. É também a prova de que a estabilidade é sempre provisória, de que é possível perder tudo mais uma vez. É a evidência viva, encarnada, de que não há lugar seguro, de que o pertencimento é sempre precário. De que do outro lado da borda, o abismo espreita com olhos injetados de sangue. Quem viveu escorregando de todos os mapas sente a dor dessa experiência no corpo.

Uma família de venezuelanos passa pelos seus objetos pessoais incendiados por brasileiros na fronteira de Pacaraima (Roraima). NACHO DOCE REUTERS (Reprodução do El País)

Uma família de venezuelanos passa pelos seus objetos pessoais incendiados por brasileiros na fronteira de Pacaraima (Roraima). NACHO DOCE/ REUTERS (Reprodução do El País)

Os venezuelanos encarnam o pesadelo real de que toda estabilidade é provisória e o pertencimento é sempre precário

Leia na minha coluna no El País

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