Cotidiano de Exceção

Como resistir?

Neste momento de tantas armadilhas, o que se infiltra nas horas é esta sensação de anormalidade que não passa. Convertida num presente contínuo, é como se o dia seguinte nunca chegasse. O risco é que, para recuperar a “normalidade”, qualquer normalidade, se aceite o inaceitável. Quanto maior for o anseio por “normalidade”, mesmo que ilusória, mais as pessoas tornam-se dispostas a conceder e a perder direitos. E é aí que mora o perigo.

Na coluna desta semana, faço uma conversa com um livro que reflete sobre a tirania. Precisamos reagir por reflexão – e não por reflexo. A melhor resistência ainda é o pensamento.

Leia o texto completo AQUI.

Cartaz da edição brasileira do livro 'Sobre a tirania' feito por Alceu Chierosin Nunes DIVULGAÇÃO

Cartaz da edição brasileira do livro ‘Sobre a tirania’ feito por Alceu Chierosin Nunes DIVULGAÇÃO

8M: Pacto contra o ódio

Mulher protesta contra os feminicídios na Argentina DAVID FERNÁNDEZ EFE (Reprodução do El País)

Mulher protesta contra os feminicídios na Argentina DAVID FERNÁNDEZ EFE (Reprodução do El País)

É importante perceber onde hoje existe potência. E especialmente a potência de criar pactos que permitam recriar os laços sociais. Prepara-se para esta quarta-feira, 8 de Março, uma greve internacional de mulheres, organizada por ativistas de mais de 40 países. O movimento surgiu a partir das greves feitas na Polônia e na Argentina no ano passado (escrevo sobre elas aqui) e também a partir da marcha das mulheres contra Trump, nos Estados Unidos, assim como outras manifestações pelo mundo. Os manifestos e convocatórias propõem um novo ciclo do feminismo, capaz de articular várias lutas. Esta agenda expandida é a parte mais interessante: as mulheres na produção, no trabalho remunerado, reivindicando melhores condições de trabalho e salários equivalentes, mas as mulheres também no trabalho não remunerado dentro de casa e no trabalho da reprodução, reivindicando direitos reprodutivos; as mulheres contra o feminicídio, contra a violência doméstica, contra o estupro e outras violências de gênero, mas também um feminismo contra o racismo, a xenofobia, a homofobia e a transfobia. É também uma posição contra “o ataque neoliberal em curso sobre os direitos sociais e trabalhistas”, como diz o manifesto assinado por intelectuais americanas, entre elas Angela Davis.  A internacionalização da greve é geográfica, mas também simbólica: ela supera as fronteiras ao propor um feminismo atravessado por todas as questões cruciais deste tempo. Assim, as convocatórias estão chamando todas as mulheres, o que significa incluir também as mulheres trans. No Brasil, onde há articulações significativas em algumas cidades e quase inexistentes em outras, é forte a oposição à reforma da previdência proposta pelo governo Temer, já que ela poderá ter grande impacto sobre todos e especialmente sobre as mulheres mais pobres, a maioria delas negras. Mas, como qualquer movimento que pretenda ganhar as ruas, o que de fato acontecerá neste 8 de março é uma incógnita. Ni Una Menos, o mote da greve argentina, se expandiu pelo mundo. Nem uma a menos é um pacto de vida. É também um pacto contra o ódio.

Nos vemos nas ruas, no 8M!

O nada e o ódio

As mortes de Maria e de Marisa expõem a tragédia de ontem e a de hoje

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A ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva FOLHAPRESS (Reprodução do El País)

Há algo de trágico na morte de Maria e de Marisa, mas esta tragédia diz respeito menos a elas e mais ao que somos e ao que nos tornamos como sociedade. É preciso lembrar antes que nossa vida de espasmo em espasmo apague a extrema gravidade do que foi exposto. E do que segue em vigor. É preciso fazer memória para resistir ao apagamento. E resistir à normalização do ódio.

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Maria de Lourdes da Silva

 

Leia a coluna completa no El País

O amanhã não pode ser apenas inverno

O desafio deste momento talvez seja o de descobrir como é possível criar uma utopia a partir do excesso de lucidez.

Cena da sexta temporada de 'Game of Thrones’.

Cena da sexta temporada de ‘Game of Thrones’.

 

Minha coluna no El País:

 

É brutal conjugar a vida no presente quando a ideia de futuro é uma distopia. Para que a vida seja possível no presente é preciso ser capaz de imaginar não apenas um futuro onde se possa viver, mas um pouco mais: um futuro onde se queira viver. A pergunta difícil deste momento é: isso ainda é uma possibilidade?

 

 

Leia o texto completo AQUI

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